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Sibutramina. De mocinha a "vilã" |
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No último dia 23 de fevereiro de 2011 ocorreu audiência pública pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para discutir o cancelamento do registro dos medicamentos que atuam como inibidores de apetite que contém sibutramina e dos anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol), assim como ocorreu nos EUA e Europa no mês passado. Em 26 de outubro de 2010, o parecer da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) recomendava o cancelamento destes por apresentarem mais riscos do que benefícios. O parecer foi embasado no estudo SCOUT (Sibutramine Cardiovascular Outcome Trial), publicado na edição de setembro de 2010 do New England Journal of Medicine que acompanhou cerca 10.000 pacientes por 7 anos e teve com objetivo avaliar possíveis benefícios da sibutramina no auxílio à perda de peso, em pacientes portadores de doenças cardiovasculares.
Segundo a área de Farmacovigilância e da gerência de Medicamentos da Anvisa, a sibutramina apresenta baixa eficácia na redução de peso e pouca capacidade de manutenção da redução de peso em longo prazo, além do possível aumento de risco cardiovascular. Enquanto isso, os anorexígenos anfepramona, femproporex e mazindol apresentam graves riscos cardiopulmonares e do sistema nervoso central. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), declara que esses medicamentos podem ser úteis nos casos em que os benefícios superam os riscos e que estes medicamentos devem ser prescritos conforme extensa revisão do tratamento farmacológico da obesidade no Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho Federal de Medicina (CFM). Estas Diretrizes conciliam informações da área médica a fim de padronizar condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão do médico, fornecendo orientações preventivas, diagnósticas e terapêuticas, baseadas em evidências científicas. Sendo assim, em nossa opinião, os resultados apresentados no estudo não justificam a proibição da Sibutramina, uma vez que a contra-indicação do seu uso em pacientes com doenças cardiovasculares já estava descrita em bula. Deve-se lembrar que uma perda de 5% a 10% do peso pode ser realmente benéfica. Esta redução no peso poderá prevenir ou até mesmo reverter doenças relacionadas a obesidade como diabetes e hipertensão. Entendemos que os anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol) deveriam ser retirados do mercado, porém a proibição da Sibutramina poderia favorecer a venda de medicamentos e fórmulas milagrosas que se dizem "naturais", pois não restariam medicações para esse fim.
A Indústria farmacêutica conseguiu adiar essa discussão aqui no Brasil por mais algum tempo, porém devemos ficar atentos e como sempre devemos utilizar qualquer tipo de medicação somente quando prescrito por profissional capacitado.
Dr. Roberto Assumpção Endocrinologia Clínica e Cirúrgica Endoclinic - Clínica Endocrinológica Luiz Cesar Póvoa
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