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Importância da alimentação e ganho de peso adequado durante a gestação

O excesso de peso e a obesidade representam importante problema de Saúde Pública no Brasil e no mundo. Além de estarem diretamente associados a doenças crônicas como hipertensão, dislipidemia (níveis elevados de colesterol e triglicerídeos), resistência insulínica e diabetes, sua incidência vem aumentando ano a ano entre adultos e crianças.

Estudos científicos têm indicado que mulheres que adquirem peso excessivo durante a gestação tendem a gerar filhos mais pesados e com maior risco de se tornarem indivíduos obesos ao longo da vida. Recentemente, foi comprovado que o ganho de peso durante a gestação aumenta o peso do bebê ao nascer, independentemente dos fatores genéticos. Tendo em vista a aparente associação entre peso ao nascer e peso na vida adulta, além do fato do excesso de peso ao nascer aumentar o risco de doenças crônicas na vida adulta, os estudos têm ressaltado a importância do empenho em se manter uma condição saudável antes mesmo do nascimento.
Durante a gestação qualquer desequilíbrio na nutrição materna, tanto a desnutrição quanto a super alimentação ou o consumo de alimentos ricos em gorduras e açúcares, podem levar ao desenvolvimento de obesidade no filho na vida adulta.

O excesso de gordura pode desequilibrar a produção de alguns hormônios, como por exemplo, a leptina, que é um hormônio responsável por regular a fome e controlar o gasto de energia. Quando esse desequilíbrio hormonal ocorre no início da vida, ele pode ficar registrado na memória das células gerando uma programação metabólica para ganho de peso futuro, mesmo que esses indivíduos tenham uma alimentação equilibrada ao longo da vida.
O mesmo pode ocorrer com as gestantes que se alimentam pouco durante a gravidez. Dietas rigorosas geram outro tipo de programação que pode afetar a produção de hormônios. Desta forma, o organismo se programa para poupar energia em caso de baixa ingestão alimentar e a energia poupada fica armazenada no organismo sob a forma de gordura (no tecido adiposo) e o indivíduo tende a poupar energia e engordar ao longo de sua vida.
Nesse sentido, a saúde da criança parece depender da orientação e do acompanhamento nutricional da mãe durante a fase de pré-natal, garantindo uma alimentação equilibrada e ganho de peso adequado durante essa fase. 

Basicamente as mães devem evitar alimentação com excesso de gorduras e açúcares, devendo focar numa alimentação rica em frutas, fibras, legumes e verduras e uma dieta bem variada a fim de garantir uma gestação saudável e sem riscos, assim como evitar sobrepeso, obesidade e desenvolvimento de doenças crônicas nos seus filhos na vida adulta. 

Fabiana Perestrello Brando
Nutricionista